quarta-feira, 9 de outubro de 2013

A Escola ideal não existe



Esta atividade foi proposta para os alunos do 9º ano da Escola Ana Letro Staacks, em Timóteo, no dia 12/09/2013 (quinta feira) durante a aula de história, sob minha orientação. Eu sugeri que a redação fosse produzida em duplas e na sala, desta forma, em conjunto, eles poderiam discutir o que seria adequado numa escola ideal e a possibilidade da execução de suas ideias. O que percebi, de uma maneira geral, é que há uma grande insatisfação, por parte dos alunos, com a escola, mas variando os motivos desta insatisfação.
As duplas foram formadas pelos próprios alunos de acordo com as afinidades em sala de aula, o que percebi é que na maioria das duplas, os alunos tinham o mesmo perfil: grau de comprometimento, sexo e notas. As duplas cujos alunos têm um perfil mais comprometido o desejo, em linhas gerias, era o de endurecimento das normas do sistema educacional: reprovação, diminuir as oportunidades de obtenção de nota e recuperação, mais rigor e punição para aqueles que atrapalham a aula. Já as duplas cujo perfil dos alunos era de um comprometimento mais flexível, o desejo de mudanças se concentrou mais nas questões físicas da escola: salas mais vazias, menos avaliações e mais momentos extraclasse. E nas redações dos alunos com mais dificuldade de aprender neste modelo de escola houve sugestões das mais variadas possíveis. Uma dupla chegou a sugerir o fim da escola, pois, segundo eles, não aprendem nada. Em outras duas redações os alunos propuseram que a escola deveria ensinar-lhes uma profissão. E vários deles reclamaram dos professores, por pegarem muito no pé deles.
Embora tenha havido um padrão nas redações de acordo com o perfil dos alunos, houve também um consenso no que tange a informatização do sistema educacional. Muito alegaram não ver a necessidade de se estudar tantas coisas e que não veem a possibilidade de se empregar tudo aquilo na vida deles. O que percebi é que eles precisam aprender a estudar, a escola ainda é muito centrada no professor e trata o aluno como um ser passivo dentro da sua estrutura. Todavia, sempre que tento dar mais autonomia para os alunos acabo me desiludindo, pois percebo uma enorme falta de vontade deles de buscar o próprio conhecimento. Para eles é muito mais prático ter alguém que os ensine do que buscar por si próprio o conhecimento.
O texto do Musacchio o autor fala bastante do uso de TICs na educação, todavia, assim como outros textos que já li, não apresenta algo palpável. A informação está disponível, basta procurar. O problema é que não há interesse, e colocar a responsabilidade de provocar este interesse nos professores não é justo uma vez que cada pessoa tem a sua individualidade, suas demandas, suas formas de serem estimuladas e suas necessidades. Além do mais, nós somos preparados para ser uma ponte entre aquele que tem vontade de aprender e o aprendizado e não para animar auditório. Ainda neste texto, o autor fala da necessidade de se mudar a escola, concordo com ele. Todavia, concordo também com a dupla que disse que a escola deveria acabar – certamente eles falaram isso por não gostarem de ir até ela, e não pela possibilidade do acesso ao conhecimento de casa. Se, como disse o autor, o conhecimento está disponível em qualquer lugar, e está mesmo, a escola não faz mais sentido, nem mesmo como local de encontro, uma vez que todo o debate que produz conhecimento pode ser realizado virtualmente. A escola ainda existe porque ela faz parte de um projeto político-ideológico de submissão das massas através de um excesso de conteúdos que a impede de ter tempo se quer de raciocinar, pois de duas uma: ou a pessoa é comprometida com a escola que mal tem tempo de refletir, ou ela não é comprometida e se quer tem condição de poder refletir sobre o que se passa à sua volta; os que estão no meio termo, o que tenho observado é que o grau de comprometimento só tem diminuído e em pouco tempo também não terão condições de fazer uma reflexão mais aprofundada. E não adianta o professor querer colocar a semente da dúvida na cabeça de seus alunos, pois como disse o professor Delval, “os valores, assim como o conhecimento, devem ser formados pelos sujeitos. Não podem ser transmitidos”.

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