Esta atividade foi proposta para os alunos do 9º ano da Escola Ana Letro
Staacks, em Timóteo, no dia 12/09/2013 (quinta feira) durante a aula de
história, sob minha orientação. Eu sugeri que a redação fosse produzida em
duplas e na sala, desta forma, em conjunto, eles poderiam discutir o que seria
adequado numa escola ideal e a possibilidade da execução de suas ideias. O que
percebi, de uma maneira geral, é que há uma grande insatisfação, por parte dos
alunos, com a escola, mas variando os motivos desta insatisfação.
As duplas foram formadas pelos próprios alunos de acordo com as
afinidades em sala de aula, o que percebi é que na maioria das duplas, os
alunos tinham o mesmo perfil: grau de comprometimento, sexo e notas. As duplas
cujos alunos têm um perfil mais comprometido o desejo, em linhas gerias, era o
de endurecimento das normas do sistema educacional: reprovação, diminuir as
oportunidades de obtenção de nota e recuperação, mais rigor e punição para
aqueles que atrapalham a aula. Já as duplas cujo perfil dos alunos era de um
comprometimento mais flexível, o desejo de mudanças se concentrou mais nas
questões físicas da escola: salas mais vazias, menos avaliações e mais momentos
extraclasse. E nas redações dos alunos com mais dificuldade de aprender neste
modelo de escola houve sugestões das mais variadas possíveis. Uma dupla chegou
a sugerir o fim da escola, pois, segundo eles, não aprendem nada. Em outras
duas redações os alunos propuseram que a escola deveria ensinar-lhes uma
profissão. E vários deles reclamaram dos professores, por pegarem muito no pé
deles.
Embora tenha havido um padrão nas redações de acordo com o perfil dos
alunos, houve também um consenso no que tange a informatização do sistema
educacional. Muito alegaram não ver a necessidade de se estudar tantas coisas e
que não veem a possibilidade de se empregar tudo aquilo na vida deles. O que
percebi é que eles precisam aprender a estudar, a escola ainda é muito centrada
no professor e trata o aluno como um ser passivo dentro da sua estrutura.
Todavia, sempre que tento dar mais autonomia para os alunos acabo me
desiludindo, pois percebo uma enorme falta de vontade deles de buscar o próprio
conhecimento. Para eles é muito mais prático ter alguém que os ensine do que
buscar por si próprio o conhecimento.
O texto do Musacchio o autor fala bastante do uso de TICs na educação,
todavia, assim como outros textos que já li, não apresenta algo palpável. A
informação está disponível, basta procurar. O problema é que não há interesse,
e colocar a responsabilidade de provocar este interesse nos professores não é
justo uma vez que cada pessoa tem a sua individualidade, suas demandas, suas
formas de serem estimuladas e suas necessidades. Além do mais, nós somos
preparados para ser uma ponte entre aquele que tem vontade de aprender e o
aprendizado e não para animar auditório. Ainda neste texto, o autor fala da
necessidade de se mudar a escola, concordo com ele. Todavia, concordo também
com a dupla que disse que a escola deveria acabar – certamente eles falaram isso
por não gostarem de ir até ela, e não pela possibilidade do acesso ao
conhecimento de casa. Se, como disse o autor, o conhecimento está disponível em
qualquer lugar, e está mesmo, a escola não faz mais sentido, nem mesmo como
local de encontro, uma vez que todo o debate que produz conhecimento pode ser
realizado virtualmente. A escola ainda existe porque ela faz parte de um
projeto político-ideológico de submissão das massas através de um excesso de
conteúdos que a impede de ter tempo se quer de raciocinar, pois de duas uma: ou
a pessoa é comprometida com a escola que mal tem tempo de refletir, ou ela não
é comprometida e se quer tem condição de poder refletir sobre o que se passa à
sua volta; os que estão no meio termo, o que tenho observado é que o grau de
comprometimento só tem diminuído e em pouco tempo também não terão condições de
fazer uma reflexão mais aprofundada. E não adianta o professor querer colocar a
semente da dúvida na cabeça de seus alunos, pois como disse o professor Delval,
“os valores, assim como o conhecimento, devem ser formados pelos sujeitos. Não
podem ser transmitidos”.
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