quarta-feira, 9 de outubro de 2013

Os desafios à implementação das TICs no processo ensino-aprendizagem



O texto “Educar com TICs: o caminho entre a excepcionalidade e a invisibilidade” aborda de uma maneira objetiva o papel do professor numa sociedade cada vez mais informatizada, no entanto há sim grandes dificuldades para que nós educadores nos transformemos neste profissional condizente com as demandas de um mundo altamente globalizado. O texto aborda alguns desses pontos, mas esquece de algo que vejo como imprescindível para alcançarmos uma educação de qualidade: a atuação da família no processo de aprendizagem. Sem sombra de dúvidas todas as famílias estão preocupadas com o futuro de seus filhos, mas são poucas as que de fato estão presentes na vida escolar deles. Afirmo isto porque observo a baixíssima presença dos pais nas reuniões escolares e menos ainda são aqueles que vão à escola sem serem convidados para uma reunião.
A atuação da família se torna importante, pois ela quem fornecerá as virtudes necessárias para que ocorra o processo de aprendizagem, como por exemplo: o respeito, o comprometimento, a responsabilidade, a solidariedade, as boas maneiras e a tolerância. Porém o perfil de alunos que encontramos, infelizmente nem sempre condiz com esses valores. E não adianta a escola trabalhá-los sendo que em casa eles não têm o exemplo. O professor percebe isso só de conversar com os pais, muitos deles também não possuem tais valores e outros tantos veem a escola como uma creche. Logo, se não há incentivo ao aprendizado na maioria dos casos, mesmo que com professores altamente capacitados o processo de aprendizado dificilmente ocorrerá.
Embora eu tenha pouco tempo de docência, apenas um ano, pude observar que há dois grandes problemas para a implementação das TICs na educação. O primeiro deles é físico. Não há recursos suficientes e adequados disponíveis nas escolas; o segundo é ideológico. Boa parte do professorado é de uma geração que teve pouquíssimo contato com novas tecnologias: seja durante sua infância, formação e/ou prática docente. Eles sabem que é importante o uso de tecnologias de comunicação e informação na educação, mas não sabem qual a importância. Prefiro me ater a este segundo problema, pois não quero parecer que estou jogando minhas responsabilidades na falha dos outros.
A resistência maior que percebo, decorre da falta de motivação dessas pessoas em mudar suas estratégias de dar aulas. E nisto inclui o fato deles terem nenhum ou pouquíssimo contato com o desenvolvimento tecnológico das novas mídias. Além do mais, as pessoas ainda enxergam a escola como detentora do monopólio do conhecimento, e isto dificulta a sua difusão uma vez que seus agentes não exploram as outras formas de atingi-lo. Eu sempre que posso faço uso dessas novas tecnologias, todavia ainda vejo que as minhas aulas são muito centradas em mim, e não nos alunos. E infelizmente eu ainda não consegui reverter esta situação, pois toda vez que tento a adesão à estratégia é muito baixa. Muitos alunos pouco se interessam pela exploração de novas ideias e se sentem mais confortáveis quando têm alguém para transmitir aquilo para ele. Com isso, para evitar maiores prejuízos eu opto por recorrer ao modelo tradicional de educação. Mas no meu interior eu tenho plena convicção que este método está longe de ser o mais adequado, todavia eu tenho plena consciência da minha limitação de teatralizar a dinâmica da aula. Por mais que digam que os professores devem tornar o conhecimento algo prazeroso e atrativo para os alunos, eu sei que ele não é. O acesso ao conhecimento, devido à sua infinidade, é algo monótono, cansativo, pouco palpável e cujos resultados são para o longo prazo. E como vivemos numa sociedade imediatista as pessoas, sobretudo os jovens, não conseguem se concentrar muito em buscá-lo. Além do mais, as profissões estão cada vez mais especializadas, logo se torna inconcebível para um estudante da educação básica ver a necessidade de se estudar tanta coisa tão diversificada, sendo que quando ele chegar ao mercado de trabalho vai precisar de pouco daquilo que aprendeu. Hoje eu percebo que não funciona bem assim, mas eu não sei explicar com palavras esta importância para meus alunos.
Embora haja muitas críticas ao sistema público de educação no Brasil, eu acredito que ele só mudará quando as pessoas, independente de quem sejam, começarem a agir. Muitos de nós professores reclamamos, não sem razão, mas também fazemos menos do que poderíamos, as vezes até transferimos nossas responsabilidades para as falhas ou faltas dos outros. Mas o que percebo é que a grande maioria, mesmo com tantos problemas, gosta daquilo que faz. O que precisamos na maioria dos casos é de reconhecimento e incentivo. Eu pelo menos sempre me sinto realizado quando vejo algo que planejei dando certo, e o uso das TICs sempre me dá uma resposta favorável por perceber que os alunos ficam realmente envolvidos naquilo.

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